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Descobrir para se (re)descobrir

Por Clarice Rios*

“Fotografar é o processo de descobrir o outro e, através do outro, a si mesmo”. Li essa frase da fotógrafa Claudia Andujar* e imediatamente pensei na Nath. Nela e no projeto que criou. Os relatos que ela propõe, junto com as fotografias da Renata, provocam esse mesmo efeito. Descobrir para se (re)descobrir.

Nas entrevistas que tive o prazer de participar, uma vez como entrevistada e outras como entrevistadora, foi exatamente isso que senti. Na primeira experiência, ao falar de mim, e trocar com a Nath e com a Rê, consegui olhar para a minha história com mais carinho e ver o quanto de potência eu tinha, o que eu já havia feito, e o tanto que eu ainda podia fazer.

No segundo momento, como entrevistadora, ao ouvir aquelas histórias, que pareciam tão diferentes da minha, mas ao mesmo tempo tão parecidas, despertei sentimentos, e iniciei processos de cura de feridas que eu nem sabia que tinha, ou que havia preferido esconder.

Nos últimos dias, o meu trabalho me colocou em contato com mulheres que foram vítimas de violência doméstica. Mulheres de diferentes idades e classes sociais, mas que relatavam um mesmo fato: a força do encontro com outras mulheres. Todas disseram que só conseguiram se reerguer ao perceber que não estavam sós. Havia outras mulheres, com histórias como as delas, dispostas a trocar e a acolher.

Ouvi-las me deu ainda mais certeza da importância desse projeto. Cada relato, cada foto, nos dá a possibilidade de descobrir sobre a vida de mulheres e ajudar a outras tantas a se (re)descobrirem.

Obrigada, Nath, por nos unir nessa (re)descoberta.

*Claudia Andujar é uma fotógrafa e ativista que se dedica à defesa dos índios Yanomami. Sua exposição “A luta Yanomami” está em cartaz no IMS, no Rio de Janeiro.

Clarice Rios é roteirista, fã e colaboradora do Projeto.

2019-07-29T11:55:01-03:00